ESDEP - A Escola Superior da Defensoria Pública

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Uso de substância psicoativa é tema de Encontro do Núcleo de Apoio Psicossocial da Defensoria, organizado pela Esdep

| Por: Tunísia Cores - DRT/BA 5496

Assistente social e doutora em Saúde Coletiva. Patrícia Flach ministra palestra sobre uso de substâncias psicoativas em Encontro do NAP

O encontro discutiu casos recebidos pela Instituição e a importância do olhar humanizado, além de considerar questões como contexto social dos usuários de drogas

Na última quarta-feira, 22, foi realizada mais uma edição do Encontro do Núcleo de Apoio Psicossocial – NAP da Defensoria Pública do Estado da Bahia – DPE/BA, criado pela Escola Superior – Esdep. Este foi o primeiro encontro da segunda etapa da programação, que segue até o mês de dezembro. Na ocasião, tema adotado foi o “Uso de substância psicoativa”, com discussões sobre a política de redução de danos, atuação da equipe de saúde mental da Defensoria, bem como as atuações dos NAPs na Instituição.

O evento foi ministrado pela doutora em saúde coletiva e assistente social da equipe de Saúde Mental da Instituição, Patrícia Von Flach. A palestrante comentou sobre os pedidos de internação de usuários que chegam na Defensoria e destacou ser importante considerar três pontos, em principal: o sujeito (e/ou família), o contexto social em que se encontra e a droga utilizada.

“É apenas nessa inter-relação que vamos conseguir construir, com esses que chegam, uma saída emancipatória e um cuidado em liberdade. Porque o que chega como pedido cotidianamente pra nós é a solicitação de internação compulsória, que tem a ver com o contexto social, com o que aprendemos que é cuidado, do que ouvimos falar dessas pessoas [que usam psicoativos] e sobre o imaginário de que a droga é o grande mal da humanidade”, afirmou Patrícia Flach.

Para os espectadores, a assistente social detalhou a Portaria n. 3088/2011, a qual instituiu a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do SUS.

Outro ponto abordado foi a Política de Redução de Danos, que, segundo Patrícia Flach, trata-se de um conjunto de políticas cujo objetivo é reduzir os danos associados ao uso de substâncias psicoativas em pessoas que não podem, não conseguem ou não querem parar de usar drogas. As intervenções nestes casos buscam a diminuição do sofrimento, proporcionar ao sujeito a possibilidade de descobrir e expressar o que existe em si além da condição de usuário de drogas, a conexão entre o sujeito e as redes que podem ser consideradas como protetoras, além da construção de laços sociais diversos, com a identificação de cuidadores em seus territórios.

A palestrante ressaltou a importância da realização do Encontro do Núcleo de Apoio Psicossocial, realizado pela Escola Superior, para construir espaços de diálogo sobre o tema entre as diversas equipes da Defensoria. “Com certeza, esse debate sobre álcool, drogas e saúde mental é transversal em todas as especializadas. Cada vez mais eu tenho atuado em parceria com outros colegas do NAP e esse encontro é uma forma de construir essas parcerias no processo de trabalho”, finalizou.

Diretor da Escola Superior, Clériston Cavalcante de Macedo explicou que o Encontro do NAP propõe uma integração e troca de experiências entre psicólogos e assistentes sociais que atuam na DPE/BA. “Esses encontros trazem assuntos abordados diariamente na Instituição, tanto na capital quanto no interior. É muito importante que os servidores se capacitem e se aprofundem em determinados temas, compartilhem conhecimentos e experiências dentro da especificidade do trabalho de cada um”, afirmou.

Clériston Cavalcante de Macedo explicou ainda que, na programação da segunda etapa do Encontro do NAP, há ainda três eventos previstos, com temas que versam sobre Entendimento do ECA a respeito da adoção, a Lei Maria da Penha e aplicações na Defensoria, além da Lei n. 10.2016/2011, que trata sobre pessoas com transtornos mentais e internações psiquiátricas.

“Enquanto Escola Superior, é o nosso papel proporcionar conhecimento, fazer essa integração entre profissionais tão importantes pra atuação da Defensoria Pública. Essa iniciativa começou conosco e pretendemos dar continuidade durante todo o nosso período de gestão”, finalizou o diretor da Esdep.

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