ESDEP - A Escola Superior da Defensoria Pública

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Masculinidade tóxica é foco do primeiro dia do curso sobre Machismo Estrutural

| Por: Laisa Gama, com supervisão de Arthur Naurí

Perspectiva de gênero, consequências e prejuízos da masculinidade tóxica e a concepção de masculino. Esses foram alguns dos pontos levantados pela pós-doutora em psicologia, Mirian Béccheri Cortez, durante o primeiro encontro do curso sobre Machismo Estrutural promovido pela Escola Superior da Defensoria Pública (Esdep). O evento  realizado na quarta-feira, 03, centrou suas discussões acerca da masculinidade tóxica e teve como mediadora a defensora pública Diana Furtado.  

“Quando a gente fala sobre machismo estrutural, é importante perceber que a gente já está falando de uma prática social, histórica, construída e que se constitui como parte da nossa cultura”, explicou a pós-doutora Mirian, que também pontuou como a prática do machismo organiza as relações tanto dentro de casa, como com as pessoas fora desse ambiente, seja nos mais variados locais e instituições.

Além disso, buscou trazer reflexões acerca de como é visto socialmente o homem e a mulher e as diferenças em tratamentos sobre o que é esperado deles em meio social. “Quando começamos a nos aprofundar no que diz respeito às expectativas, aos valores e práticas de homens e mulheres que se regem por essas expectativas embrenhadas por nossos valores, vamos entender que vamos nos intoxicando dessas expectativas a ponto de fazer mal a nós mesmos e a quem está do nosso lado”, explicou.

Para o diretor da Esdep, Clériston Macedo, é importante trazer o diálogo sobre este tema que muitas vezes é enraizado no consciente coletivo. “Esses temas que foram e serão abordados nesses primeiros encontros são o início de uma grande discussão anual que iremos fazer sobre o machismo”. Para ele, a partir da observação e conhecimento dessas temáticas é relevante levá-los para dentro da Instituição, para contribuir na orientação e modificação de algumas condutas machistas que ainda são muito presentes no meio social.

O curso de Machismo Estrutural terá ainda mais três encontros, que trarão como temas: “Machismo nas instituições e práticas da violência política institucional”,  “Masculinidade sob uma ética feminista e interseccional – como as experiências reflexivas e socioeducativas contribuem para a transformação?” e também “Cuidado; divisão sexual do trabalho; espaço público x espaço privado; liberdade, corresponsabilização do Estado pelo cuidado, função social da maternidade”. O evento tem como público-alvo defensores, defensoras, servidores, servidoras e sociedade civil.