ESDEP - A Escola Superior da Defensoria Pública

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Curso sobre combate à LGBTfobia ressalta as identidades e como elas estão relacionadas aos afetos na sociedade civil

| Por: Laisa Gama, com supervisão de Alexandre Lyrio

Primeiro dia do curso contou com participação de ativistas do movimento LGBT e Direitos Humanos

“Será que nós compreendemos como nossas identidades afetam e são afetadas na relação social?” Esse foi um dos questionamentos levantados pelo psicólogo e ativista de Direitos Humanos, Gabriel Teixeira, durante a tarde desta quarta-feira (06) na primeira palestra do curso “Homofobia Estrutural – Combate à LGBTfobia” que trouxe como temática principal a identidade e seus afetos. Além de Gabriel, a reunião contou com a participação de Sheu Nascimento, educadora e ativista lésbica, com abertura pelo diretor da Esdep, Clériston Macedo e mediação pela defensora e coordenadora de Direitos Humanos, Eva Rodrigues.

Durante sua fala, Sheu, buscou trazer uma perspectiva de como é pensada a questão da identidade e como a expectativa social está relacionada ao sexo biológico dos indivíduos. “Quando começamos a perceber o efeito disso na nossa vida e na vida de outras pessoas com sexualidades diferentes do imposto, vemos como é violento”. Além disso, ela como uma mulher lésbica cis, trouxe sua própria experiência com as discussões acerca das diferentes identidades e de sua própria sexualidade.

Para o diretor da Esdep, Clériston Macedo, é importante demonstrar exemplos positivos de superação e de luta pelos direitos civis dessa comunidade.  Por conta disso, foram escolhidos para palestrarem diversos ativistas, professores e pessoas que lidam diariamente com a discriminação nesse meio. “É importante que a gente passe essas informações para dentro da instituição e com isso sejamos agentes multiplicadores do conhecimento adquirido para a sociedade”, explicou ele a respeito do evento que tem como público-alvo defensores/as, servidores/as e a sociedade civil.

Além disso, Clériston ressaltou o fato do curso ser uma formação continuada, a qual será retomada no próximo ano, no formato de demonstrar a desconstrução de preconceitos. Essa é uma atividade que já vem sendo realizada  pela defensoria a respeito de preconceitos contra raça e gênero e agora também da LGBTfobia.

O advogado e ativista dos direitos humanos, Renan Quinálha, vê a atuação das Defensorias Públicas por todo o país como tendo um papel fundamental na busca por efetivar a cidadania da população LGBT. “Vivemos atualmente no nosso país, um momento de graves ameaças do ponto de vista da cidadania e dos direitos sexuais e reprodutivos. Ao mesmo tempo que olhando de uma perspectiva ao longo do tempo, a gente verifica nos últimos  dez anos  um ciclo de Direitos LGBTs, que vem por decisões do STJ”, falou ele.

O curso em combate à LGBTfobia é uma realização da Escola Superior da Defensoria da Bahia e terá ainda mais dois encontros, sendo no dia 13 e 19 deste mês com transmissão pelo Zoom, das 14h até as 16h. Os temas serão “Violências contra as diversidades – Motivações e consequências” e “ Direitos e Conquistas – Construção e manutenção resultantes da atuação comprometida com a diversidade”, respectivamente.

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